sexta-feira, 12 de abril de 2013

In for a penny, in for a pound.


Chegar ao fim de uma história em série é heartbreaking. Seja na televisão, no cinema ou, principalmente, em livros, por um ponto final num mundo e personagens que nos acompanharam e se tornaram importantes faz parte da relação com as séries. Mas nunca cessa de trazer uma certa melancolia - maior ou menor, dependendo do meu envolvimento com a história.

A primeira lembrança que tenho de um coração partido pelo fim de uma saga foi com As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley (1979). Quase em 1990, há dois anos na universidade, estudando loucamente para concursos públicos, eu me perdia na narrativa constantemente. Não foi somente uma vez em que perdi o ponto de descida do ônibus porque não conseguia desgrudar das páginas do livro e de Morgana. Arthur, Lancelot. Ao fim, não sabia bem o que fazer. Aquele lugar a que havia ido tão constantemente havia sido fechado por um ponto final.

Sim, a releitura é sempre possível... e é um retorno que nos traz de volta aquele mundo específico, mas nunca da mesma forma.

Esta semana, cheguei ao terceiro e último livro da série Infernal Devices (Peças Infernais),  Clockwork Princess, de Cassandra Clare, autora de Mortal Instruments. As duas séries trazem o mesmo mundo dos Shadowhunters, mas com 130 anos de diferença.

Shadowhunters são nephilim, uma raça mestiça de humanos e anjos, que habitam incógnitos a terra para lugar contra os demônios no mundo e proteger a humanidade. Em MI conhecemos esse mundo pela jornada do herói realizada por Clary, que descobre sua origem e feições do mundo que ela desconhecia. Além de Jace, capa do primeiro livro e um dos personagens mais divertidos e messed up que já conheci. Big smile.

Infernal Devices é um spin-off de Instrumentos Mortais e nos leva a Londres steampunk do final do século XIX. Apesar de ser uma derivação, ela conseguiu em muito superar, para mim, o original. E esse feito não é simples, já que gosto muito dos Shadowhunters de Nova York. Os três protagonistas - Tessa, Will (uma versão vitoriana de Jace) e Jem, um dos personagens mais queridos da série - e como eles crescem na narrativa têm muita responsabilidade por isso. Mas ligação com os fatos e personagens de MI é, a meu ver, um dos maiores responsáveis pela força da série.

Ao iniciar ID, Cassandra Clare decidiu prolongar Mortal Instruments em mais três livros - assim, de trilogia, ela passou a saga. O quarto livro, uma grande decepção, me trouxe muitas dúvidas - e uma certa indignação, como se pode ver em post anterior - com essa decisão. Por que mexer em uma história já tão querida?

Ao longo de Infernal Devices, essa decisão tornou-se mais clara. Nessa nova série, podemos conhecer os antecedentes dos personagens e a origem de situações que vimos em MI. Eu gosto dessa relação com tempos diferentes e como eles se interligam nas histórias. E consegue aumentar ainda mais nossa proximidade comesses personagens e mundo. 
Bom, esta semana, ao terminar Clockwork Princess, eu olhei para mim e disse: Take this, pessoa de pouca fé! Neste terceiro livro, eu consegui ver uma razão para a continuação da série começou a fazer muito sentido. E eu sou grata a ela: no anto que vem, o último livro de Mortal Instruments será lançado e eu vou poder estar nesse mundo novamente, e ainda. Porque, ao final deste último livro, só conseguia voltar para os anteriores re para City os Lost Souls (em que revi uma cena muito interligada a Will e Tessa de ID) que saber que ainda resta um pouco desse mundo para ler é bastante consolador diante desse fim totalmente de rachar o coração, como uma história bem contada consegue.

No cinema, o tráfego está lento. Em abril, o único filme até agora foi A Hospedeira (The Host. Andrew Niccol, EUA, 2013), também o último filme de abril e que ainda não havia trazido para O Viagens.

Eu o esperava há um tempo, curiosa para saber se Stephenie Meyer finalmente teria um dos seus livros bem adaptado para o cinema, depois do fiasco da Saga Crepúsculo. O quadro que estava se formando parecia bom: Andrew Niccol, de Gattaca, O Show de Truman e o mais recente O Preço do Amanhã, na direção... bons atores no elenco, a começar por... um trailer empolgante. Mas só sabemos mesmo do que se trata quando chegamos ao cinema, mesmo com toda a expectativa e as informações que o precedem.

Agora mesmo, enquanto escreve, apareceu a propaganda de A Hospedeira na TV. E a minha reação não foi acolhedora... daí já é possível saber como me senti no filme. Monótono, superficial, ele não consegue contar uma história que empolgou quando lida. A construção do mundo que foi invadido por uma raça "pacífica" de vermes ETs (são brilhantes, mas  vermes, mesmo que chamadas de Souls :) é bastante fiel ao livro - que tem previsão de continuidade. Os fatos também. Mas fidelidade factual, como eu digo over and over aqui, não garante que uma história seja contada. No caso de The Host, esse descuido conseguiu obscurecer uma das discussões mais legais que o livro traz - as histórias de Meyer têm essa discussão, entre a escolha da protagonista entre um bonito e outro - sobre como a humanidade pode ser também uma escolha - o "sedr" humano não a garante, diante da intolerância e da falta de entendimento.

Dessa forma, essa junção de fatos e personagens ficou sem sentido e boboca. Aquela beijação juvenil se afasta bastante de como se figura no livro - e não sei se o filme faz sentido para quem não o leu. Porque nem sempre a soma das partes forma um todo, principalmente quando se trata da construção de uma narrativa. 

Agora está a propaganda de Amanhecer Parte 2... E eu termino este post com uma conclusão a que cheguei, junto com a amiga que reviu o filme comigo, ao final de The Host: talvez as histórias de Stephenie Meyer, pelo modo envolvente, mas sempre bizarro com que ela escreve, não sejam feitas para o cinema. 


As diferentes edições de Clockwork Princes - a beleza das capas
é uma Constante nas séries de Cassandra Clare e um destaque
nos três primeiros livros de Mortal Instruments.
Aquelas sem rosto são as minhas favoritas...
Um comentário sobre a última das capas: Elena???

PS: Por falar em As Brumas de Avalon e inversão do tempo nas narrativas, Marion Zimmer Bradley lançou, uns anos depois da sua série de maior sucesso, dois livros que contam os antecedentes de personagens que conhecemos em As Brumas. Eu os li em ordem inversa - adoro fazer isso. Assim, como já sabia muito do futuro dos personagens, li A Casa da Floresta e A Senhora do Lago fora da ordem em que publicados. É sempre uma experiência inverter o tempo nas séries e brincar com o tempo nas histórias.

PPS: O filme do primeiro livro de Mortal Instrumentos, Cidade dos Ossos, está com lançamento previsto para augusto deste ano. O trailer está aqui, no post abaixo. Mas sinto dizer que ele não parece muito promissor...

2 comentários:

  1. Nossa! Fui sugada pela lembrança do fim das Brumas de Avalon! :-) É, foi impactante.
    E o fim de Felicity? Anda não superei, hohoho.
    Saudades eternas...

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    1. E não é? Felicity, Dawson's, Gilmore Girls, Everwood...!!!

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