quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sessão Tripla + bonus track



A day in paradise.





Assim eu me sinto quando passo a tarde no cinema. Ou  o dia todo, no meu caso, já que acordei quase às 11 horas... Numa semana boba, meio sem graça, hoje resolvi me manter no cinema. A diferença quando saio é de impressionar. Além, claro, de haver contado com companhias queridas durante o útlimo filme e o jantar!

Não Me Abandone Jamais (Never Let Me Go. Mark Romanek, UK/US) partiu meu coração. O filme é uma adaptação do livro do mesmo nome de Kasuo Ishiguro (dele estou lendo The Remains of the Day, que também chegou aos cinemas).

Inacreditável. Era só isso que me vinha à cabeça. Desde o início já sabia que a experiência ia ser punk. Lembro agora de como me senti no começo de As Horas (The Hours. Stephen Daldry, Us/UK, 2002). Na primeira cena, com a carga de Virginia Woolf a seu Leonard, eu já estava em lágrimas. O filme me tocou tão fortemente que dei uma desculpa para os amigos que estavam comigo e fui sentar em outro lugar da sala, sozinha. Era muita coisa para compartilhar.

Assim me senti hoje, mas, como já fui só, mudei de lugar apenas para me distanciar do senhor que fungava na fileira atrás da minha...
Invrível a extensão de uma história que não se explica demais. Que abarca o mundo sem falar muito. Nas entrelinhas de cada ação, na expressão de cada personagem, a vida se apresentava. A esperança, a incerteza, o amor, a amizade, a submissão, a crueldade, o abandono, a falta de ética. A humanidade.

Intenso, belo, triste. Carey Mulligan está de arrepiar. A atriz que representa sua personagem quando criança é impressionantemente parecida com ela, e não só fisicamente.

O filme todo é de arrepiar. A manipulação do tempo e dos espaços... uma surpresa. Ao final,  tive de me esconder no banheiro, porque não parava de chorar. E não só porque o filme é absurdamente triste, mas porque, mesmo numa trama tão surreal, eu o senti muito próximo. A ficção (científica!) em poesia, abarcando a vida.

Thanks God pela banalidade do segundo filme. Quando parei de chorar e entrei no filme seguinte, pensei que não ia conseguir ficar na história. Mas aos poucos a trama bem conduzida de O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer. Brad Furman, US, 2011) foi levando embora a minha melancolia e me colocando em outro mundo bastante diferente do anterior.

Também contrariamente a Never Let Me Go, O Poder e a Lei foi bastante previsível para mim. Já no início da confusão já sabia o que ia acontecer. A falta de surpresa não me atrapalhou, e segui para o terceiro filme - agora acompanhada de uma amiga querida - mais tranquila.

Good. Sem a folga no meio eu teria desmoronado. Um Novo Despertar (The Beaver. Jodie Foster, US, 2011) não havia me interessado muito, exceto por ser dirigido por Jodie Foster. Mel Gibson não anda muito popular para mim também, rs. Por isso o preconceito é uma companhia complicada para convidar ao cinema. Sem ele, pude ver no filme um retrato muito honesto sobre a depressão, e como é insuportável às vezes, para uma pessoa, ficar consigo mesma, quem dirá com os outros.

No decorrer da história, achei que o filme podia ser muito condescendente e apressado, mas me enganei novamente. E Mel Gibson está incrivelmente bem. Preconceito...rs.



O bonus deste post é o filme que vi ontem na TV a Cabo. Jack e Chloe (Jusqu'a Toi. Jennifer Devoldère,Canadá/ França, 2009) é fofo. Fofo fofo fofo. Desliguei a televisão com corações flutuando ao meu redor.

Uma história contada com cuidado e delicadeza. Gosto muito de Justin Bartha e acho Mélanie Laurent uma atriz linda e forte. Sua Shosanna de Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds. Quentin Tarantino, US/Alemanha, 2009) está em muitas das cenas de que mais gostei no filme (fora o "it'a a Bingo", claro).

Chloe apaixona-se por Jack por acreditar que ele ama o mesmo livro que ela. Veio-me à cabeça o que Robert Johson diz em We, quando analisa o mito do amor romântico por meio da história de Tristão e Isolda (e ela etá esta semana no Degraus de Amélie...). A maior praga da humanidade para o autor, o mito do amor romântico, levaria as pessoas a procurarem um tipo de relacionamento irrealizável. Afinal, um dos seus aspectos é justamente a impossiblidade de sua concretização. Assim, ao procurar o que idealizamos sem olhar realmente o que está à nossa frente, não nos apaixonaríamos pela pessoa, mas pela imagem que projetamos para além dela. Muito psicologismo? Pode ser.



Para mim faz sentido, porque a projeção parece ser uma das atividades favoritas no nosso cotidiano hoje. Projetam-se os sonhos, desejos, frustrações, expectativas, traumas... E aí vira tudo uma confusão. O filme explicita essa confusão e a traz de forma honesta.

Esta, hoje, é a minha palavra. Honestidade ao contar uma história é um atributo precioso para qualquer narrador. Eu a valorizo muito e fico bastante feliz quando a encontro no cinema, mesmo que me parta o coração.

  


  

2 comentários:

  1. Dri, vc só faz aumentar minha lista de filmes. Meu deusss. Fiquei com muita vontade de ver o Never Let Me Go. Muito tempo que não vejo um filme que me deixa do jeito que vc ficou. Precisando.
    Vou procurar o Jusqu'à Toi, também tem tempos que não vejo um filme fofo.
    Tenho visto só filmes pesados, de suspense forte. Ontem vi o 22 Balas com o Jean Reno, achei ótimo, mas nada relax.

    Beijos.

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  2. www.asviagensdeamelie.blogspot.com6 de junho de 2011 às 10:33

    E você a minha de seriados, Lê! Meus deusssss indeed, rs. Never Let Me Go não me larga, fiquei muito impressionada. Jusqu'à Toi (Aqui chamado de Jack e Chloe) é meio difícil de encontrar. Eu estou com um arquivo a passo de tartaruga... Se conseguir, eu te aviso.

    Bjo! Drix.

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